22 Novembro, 2016

Arte Pública

Co-comissariado por António Mega Ferreira e António Manuel Pinto, o projecto de Arte Pública da Expo ’98 salienta-se como um dos mais relevantes núcleos na cidade de Lisboa, reunindo reconhecidos criadores internacionais e prestigiados autores nacionais. São hoje mais de 50 obras de arte espalhadas pelo Parque das Nações que transformam a Cidade Imaginada numa enorme galeria ao ar livre.

 

Roberto MattaHaveráguas

Influente artista chileno nascido em Santiago a 11 de novembro de 1911, Roberto Matta destacou-se com as suas monumentais e épicas obras surrealistas que abriram portas ao expressionismo abstrato, influenciando uma geração de artistas como Jackson Pollock, Arshile Gorky e Robert Motherwell. Foi dos primeiros artistas da era moderna a tentar descrever visualmente as complexidades da psique humana em formas abstratas usando as suas pinturas para dar visibilidade ao invisível. Faleceu em 2002, com 91 anos de idade, em Itália.


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Roberto Matta é  o autor de uma das obras de arte urbana legadas pela Expo’98. Intitulada Haveráguas e localizada na Praça do Tejo (junto à Torre Vasco da Gama), a obra de expressão surrealista foi oferecida pela Embaixada do Chile à cidade de Lisboa e representa diversas interações com a água. A composição foi transposta para o painel mural de azulejos na fábrica de cerâmica Viúva Lamego por dois artistas plásticos chilenos – Francisco Ariztía e Christian Olivares.


Antony GormleyRhizome II

Antony Gormley é um dos mais reconhecidos escultores da atualidade. Nascido em Londres a 30 de agosto de 1950, as suas obras têm sido expostas não só nos mais importantes museus e galerias de arte contemporânea do mundo mas também em diversas exposições ao ar livre. Construídas maioritariamente à escala real, as suas esculturas exploram a relação do corpo humano com o espaço, refletindo sobre questões da condição humana como os medos, angústias, perdas e a relação com a natureza.


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No Rossio dos Olivais temos a honra de ter uma obra de Antony Gormley. De nome Rhizome II e concebida para a Expo’98, é uma escultura em ferro composta por nove figuras humanas que, ao encaixarem umas nas outras, simbolizam a união entre os homens, sugerindo, ainda, os ramos de uma árvore. Como o nome sugere, existem mais duas esculturas semelhantes (Rhizome I e Rhizome III), mas esta é a única das três em exposição permanente.


Susumu Shingu – Reflexo do Céu, Navegante

Susumu Shingu, premiadíssimo artista japonês nascido a 13 de julho de 1937 em Osaka, criou para a Expo’98 a escultura Reflexo do Céu, Navegante, localizada em frente ao Teatro Camões. As suas obras móveis são caraterizadas pelos movimentos gerados por forças e fluxos naturais, como o vento, a água e a gravidade, pretendendo criar uma simbiose entre o observador e a própria escultura.

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Lamentavelmente, a obra exposta no Parque das Nações está incompleta dado o desaparecimento, do alto dos seus 6 metros, de uma das três enormes pás em aço inoxidável, e continua a aguardar restauro.


Fabrice Hybert – L’Homme de Bessines

Fabrice Hybert, artista francês de renome internacional, nasceu a 12 de julho de 1961 em Luçon. Trabalha em pintura, escultura, instalação e vídeo. Em 1989, a pedido da autarquia de Bessines, criou “L’Homme de Bessines”, um pequeno homem verde de 86 cm de altura, em resina e aço inoxidável. Estas personagens imaginárias, de silhueta familiar e desenvolta, mas ao mesmo tempo de aspeto extraterrestre, são também uma fonte, ao lançar água por todos os seus onze orifícios corporais.

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De Bessines estes homenzinhos verdes partiram à conquista do planeta! São hoje mais de 700 espalhados por várias cidades em todo o mundo e 69 estão aqui, no Parque das Nações, no Terreiro das Ondas.


Rui ChafesHoras de Chumbo

Nascido em Lisboa, em 1966, Rui Chafes formou-se em escultura na Escola Superior de Belas Artes em 1989, tendo seguindo depois para Dusseldörf, onde frequentou a Kunstakademie, sob a direção do artista alemão Gerhard Merz. Recebeu o Prémio Pessoa 2015.

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Executada para o recinto da Expo’98, a sua obra Horas de Chumbo é uma escultura em ferro pintado de preto, formando um duplo óculo, composto por duas formas cónicas, com 9 m de comprimento, apontadas para o vento e para a água, assim como para o Sul e para o Oriente. Tem a particularidade de ser a única peça do autor que permite o seu manuseamento pelo público:

“Normalmente não quero que as pessoas toquem na escultura. Acho que a escultura é uma arte visual e toca-se com os olhos. A excepção é essa peça. Tem um poder atractivo enorme para as crianças. É inevitável. E acho que não sendo o típico do meu trabalho dá-me um certo conforto perceber que de uma forma que não é aquela que me é mais habitual as pessoas se apoderaram daquela escultura. Nesse caso é-me confortável. Noutras não seria.” – Rui Chafes


Audrey FlackD. Catarina de Bragança

Audrey Flack nasceu em Nova Iorque a 30 de maio de 1931. Pioneira do Fotorrealismo e reconhecida e aclamada pintora e escultora, o seu trabalho tem sido exibido em grandes museus e galerias de arte por todo o mundo, como o Guggenheim ou a Galeria Nacional da Austrália. Foi a primeira pintora fotorrealista a ver uma obra sua adquirida pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. A partir dos anos 80, começou a dedicar-se mais intensamente à escultura monumental pública.

Uma dessas obras visava homenagear D. Catarina de Bragança, a filha de D. João IV que se tornou Rainha de Inglaterra ao casar com Carlos II e a quem se deve, entre outros feitos, a introdução do chá na corte britânica. O projeto, com um orçamento de 3.5 milhões de dólares, pressuponha uma estátua com cerca de 11 metros de altura num vasto memorial à beira-rio em Queens, o distrito de Nova Iorque que tem este nome em homenagem à princesa Portuguesa. No entanto, numa altura em que a estátua já estaria na fundição, surgiram acusações de que a Rainha teria beneficiado do comércio de escravos, polémica que acabaria por impossibilitar a concretização do projeto. Uma réplica com 1/4 do tamanho original acabou por ser trazida para Portugal e encontra-se no Parque Tejo para ser apreciada por todos os visitantes.


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