1 Fevereiro, 2016

A Cidade Imaginada

Estavamos em 1991 quando Lisboa foi escolhida para ser palco da denominada EXPO’98 sob tema “Os Oceanos, um Património para o Futuro”.

A opção da realização da Expo 98 na zona oriental de Lisboa deveu-se ao facto de se pretender recuperar uma zona degradada e poluída e ser esta forma um contributo útil para a cidade e um exemplo de Portugal para o Mundo. Existiam instalações industriais antiquadas, depósitos petrolíferos, velhos armazéns militares, um matadouro obsoleto e até uma lixeira a céu aberto deveriam dar lugar a um novo conceito de ocupação do espaço que permitisse, no futuro, devolver à cidade de Lisboa uma importante faixa de território situada à beira do rio Tejo.

Com a EXPO’98 revalorizou-se o espaço através de uma profunda renovação urbana e requalificação ambiental.

Nos nossos dias, chamamos Parque das Nações a um espaço que ultrapassou o recinto da exposição mundial, que decorreu de 22  de Maio de 1998 e terminou a 22 de Setembro do mesmo ano. O Parque das Nações manteve-se após a EXPO’98, gerido pela Parque EXPO, com intervenções no terreno com acções de planeamento urbanístico, com critérios objectivos e estratégicos que valorizavam o património deste espaço, em pleno funcionamento e integrados com a vivência urbana da cidade de Lisboa. De destacar equipamentos importantes que faziam parte desta gestão, a Estação do Oriente, o Pavilhão Atlântico, o Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, o Teatro Camões e o Oceanário de Lisboa; e os espaços verdes como o Parque do Tejo, os Jardins Garcia de Orta, os Jardins da Água ou o Jardim das Ondas.

Um espaço público de excelência que não obstante ter vindo a perder a sua identidade desde 2013 com a passagem da sua gestão para a autarquia, continua a ser visitado todos os meses por milhares de pessoas, contribuíndo para estimular o turismo na cidade de Lisboa.

As áreas residenciais trendy pautam-se pela elevada qualidade arquitetónica, espaço público generoso e vibrante, boas acessibilidades e progressivo incremento da oferta de serviços e equipamentos de proximidade, o que se traduz em padrões de elevada qualidade de vida. Cumprindo os objetivos estabelecidos, as áreas destinadas à habitação apresentam um forte dinamismo, sendo predominantemente ocupadas por população jovem e com elevado nível de instrução.

O Parque das Nações é também um inovador pólo terciário, onde proliferam empresas das mais variadas áreas, inclusivamente algumas sedes de multinacionais, que coabitam com serviços da administração pública.

Hoje, o Parque das Nações é uma área urbana consolidada, onde, de acordo com os estudos de opinião sobre a perceção da qualidade de vida, os residentes, trabalhadores e visitantes manifestam um elevado grau de satisfação. São especialmente valorizados a qualidade dos espaços verdes e zonas de lazer, o grau de eficiência dos serviços urbanos e as infraestruturas inovadoras associadas ao projeto urbano.

Este projeto reconfigurou o posicionamento competitivo da zona oriental da cidade de Lisboa e contribuiu para a construção de uma imagem moderna e competitiva da metrópole no contexto internacional.

O Parque das Nações é, provavelmente, o mais ambicioso projeto nacional de renovação urbana e requalificação ambiental do século XX, constituindo um modelo de eficiência na realização de políticas de regeneração urbana e um case study internacional.

(Filme realizado por: Marta Simões e Jorge Jácome)

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