Abate de choupos no Rossio dos Olivais

Sob o pretexto de que estão inseridos na zona de intervenção de uma empreitada de reabilitação da rede de saneamento, a CML prepara-se para abater sete choupos no Rossio dos Olivais. O pedido de autorização para abate acrescenta que dado o porte elevado das árvores não é possível o seu transplante. Pode depreender-se nas entrelinhas que fica mais barato abater as árvores do que alterar o projeto ou transplantar os choupos. E afinal de contas, são “apenas” árvores…

Estes exemplares da espécie Populus nigra var. italica fazem parte da emblemática cortina de alinhamento que acompanha o correr das bandeiras dos países e organizações participantes na Expo’98. Foram adquiridos num viveiro na Holanda e estão plantados no local desde a Exposição Universal. Além do crime ambiental que representa o seu abate por motivos que não se prendem com o seu estado fitossanitário, também todo o enquadramento paisagístico desta zona icónica do Parque das Nações sofrerá danos irreparáveis. Serão necessárias duas décadas, no mínimo, para que novas árvores possam atingir o mesmo porte.

Já aqui referimos que um dos maiores méritos do Plano de Arborização elaborado no âmbito do processo de recuperação ambiental da Zona de Intervenção da Expo’98, foi ter permitido salvar cerca de 500 árvores adultas que pela sua localização corriam o risco de ser danificadas ou mesmo abatidas no decorrer das obras. A estas também se juntaram exemplares vindos de outros pontos de Lisboa e do país que, por diversas circunstâncias, estavam condenadas ao abate. É o exemplo de duas enormes palmeiras (Washingtonia filífera) trazidas da Póvoa de Santa Iria onde os trabalhos de duplicação da via férrea ameaçavam a sua existência. Ou a famosa tamareira-do-Senegal (Phoenix reclinata) trazida de uns terrenos no Campo Grande onde ia ser contruído um parque de estacionamento. É fácil perceber a complexidade de fazer transportar uma árvore com 45 toneladas de peso e 10 metros de altura por 10 metros de largo mas conseguiu-se e a tamareira, com mais de 100 anos, ainda vive na nossa freguesia.

Transporte da tamareira-do-Senegal do Campo Grande para a Z.I.da Expo’98

Hoje, porém, é desta forma leviana que a CML pretende honrar o legado e o esforço de todos aqueles que há mais de duas décadas pensaram, salvaram e plantaram as árvores neste território. Em prol de um coletor, derrubam-se sete imponentes choupos saudáveis. Não nos parece que seja assim, a abater indiscriminadamente e a replantar árvores novas, que a CML vai fazer jus ao título de Capital Verde Europeia 2020… será, sim, a cuidar e a preservar as árvores que já existem há décadas e séculos. A CML tem aqui uma excelente oportunidade para inverter o que tem sido a sua política desastrosa nesta matéria. O desafio está lançado.

[UPDATE 15-05-2019]

O anunciado abate de sete choupos no Rossio dos Olivais foi cancelado. A CML informa no seu site que “não houve necessidade de se proceder a qualquer abate no Rossio dos Olivais, dado que a empreitada de reabilitação da rede de saneamento da Bacia Q, junto ao Altice Arena, no Parque das Nações, não teve a dimensão prevista. Assim, manteve-se o alinhamento de choupos de grande porte existentes neste local.”

A ACIPN congratula-se com este recuo por parte da CML e espera que esta ponderação prevaleça em casos futuros, não apenas no Parque das Nações mas em toda a cidade de LIsboa.

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