Obras no Pavilhão de Portugal

Em 2015, o Pavilhão de Portugal foi entregue, a título definitivo, à Universidade de Lisboa. No protocolo assinado entre o Governo e aquela instituição ficaram estipuladas algumas condições, nomeadamente a impossibilidade de a Universidade de Lisboa entregar o Pavilhão de Portugal a terceiros e ficar ela própria responsável pela sua manutenção. Nessa altura, o reitor da Universidade reconhecia os elevados custos de manutenção bem como a necessidade urgente de se procederem a algumas obras mas mostrava-se otimista quanto à autossustentabilidade do pavilhão e à realização de muitas atividades. Porém, as obras tardaram e estado do imóvel, classificado Monumento de Interesse Público, bem como de toda a zona envolvente, dormitório de muitos sem-abrigo, continuaram a agravar-se.


De um modo simbólico, no dia em que se comemorava o 20º aniversário da abertura ao público da Expo’98 (22 de maio de 2018), foi publicada em Diário da República uma resolução aprovada em Conselho de Ministros que autorizava a realização de obras de reabilitação e requalificação do Pavilhão de Portugal orçadas em mais de 10 milhões de euros. A Universidade de Lisboa assegurava, então, que o concurso público internacional iria decorrer ainda durante 2018 e que as obras poderiam arrancar nos primeiros meses de 2019. Em março de 2019, não só as obras não começaram, como o concurso ainda não foi sequer lançado.

O que é mais assinalável nesta história, não é sequer o atraso neste processo. O que é verdadeiramente estranho, é a forma expedita como, sob o pretexto do início dessas mesmas obras, o Centro Interpretativo do Parque das Nações foi abruptamente encerrado em janeiro de 2018, privando todos os visitantes de uma retrospetiva da intervenção arquitetónica, urbanística e ambiental que há duas décadas transformou por completo este território, precisamente quando mais se justificava a sua existência, em pleno período de comemoração dos 20 anos da Expo’98… Aparentemente, só o Centro Interpretativo é que atrapalhava e tinha de fechar já que nada impediu que o pavilhão continuasse (e continue) a acolher diversos eventos como o Festival da Eurovisão, o Super Bock Super Rock, a Web Summit ou a exposição T.Rex in Town (atualmente em exibição).

Resta-nos aguardar, pacientemente, que as tão desejadas obras de reabilitação se iniciem o quanto antes e que, uma vez terminadas, todas as entidades responsáveis cumpram com a sua palavra e o Centro Interpretativo do Parque das Nações possa reabrir ao público.

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