Combate à mediocridade

(texto publicado na edição nº105 do “Notícias do Parque”)

No passado dia 26 de janeiro, a ACIPN comemorou o seu 3º aniversário. Uma data especial, sem dúvida, mas que não nos mereceu festejos. De facto, três anos depois, consideramos que continuam a não existir motivos para festejar. Tudo aquilo que nos levou então a dizer “basta!” e a apelar à mobilização na defesa do projeto urbanístico, cultural e paisagístico do Parque das Nações continua, lamentavelmente, bem presente no nosso dia-a-dia.

Aquele que outrora foi o expoente máximo da organização e gestão urbana, um modelo para o resto do país e para o mundo, vai-se transformando em apenas mais um pedaço de cidade à mercê da (fraca) gestão autárquica que temos. Antes da transferência de responsabilidades para as autarquias, o que diferenciava o Parque das Nações dos restantes bairros era precisamente o cuidado que existia na manutenção de cada pormenor e na continuidade dessa atenção ao longo de todo o território.

Temos tido oportunidade de conversar com muitas pessoas que trataram das nossas ruas e dos nossos jardins nessa altura. Quase todas elas nos falam do enorme orgulho que sentiam em fazer parte daquele projeto. Não bastava cumprir… havia como que uma obrigação moral de fazer bem para não destoar de tudo o resto. Ninguém queria ficar mal na fotografia nem ser repreendido. O brio profissional imperava e, consequentemente, os padrões de qualidade urbana atingiam níveis de excelência.

Hoje não é assim. A autarquia contenta-se com os mínimos. Os prestadores de serviços contentam-se com os mínimos dos mínimos, até porque ninguém os obriga a fazer mais do que isso. Pior… uma parte cada vez mais considerável de moradores começa a conformar-se com esses mínimos. O aparecimento de um cantoneiro na rua ou o arranjo de um pilarete derrubado há meses são vistos como verdadeiras conquistas quando representam apenas aquilo que deveria ser a rotina “invisível” da gestão urbana.

Às vezes somos criticados por sermos demasiado exigentes. E, de facto, somos… e ainda bem que o somos. Não abdicaremos nunca desse nível de exigência. Continuaremos firmes no combate à mediocridade por um Parque das Nações de excelência.

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