As árvores morrem de pé

Um dos fatores mais importantes para a estratégia de recuperação ambiental da Zona de Intervenção da Expo’98 foi a elaboração do Plano de Arborização que se traduziu na plantação de mais de 10.000 árvores em toda a área. Um dos seus maiores méritos foi ter permitido salvar cerca de 500 árvores adultas que pela sua localização corriam o risco de ser danificadas ou mesmo abatidas no decorrer das obras. A estas também se juntaram exemplares vindos de outros pontos de Lisboa e do país que, por diversas circunstâncias, estavam condenadas ao abate. As respetivas operações de transplante e transporte revelaram-se, nalguns casos, bastante complexas e é difícil imaginar que hoje se fizesse o mesmo.

Estas árvores que já traziam consigo décadas (e em alguns casos séculos) de história, adaptaram-se aos seus novos locais e ali se desenvolveram durante duas décadas, muitas vezes excedendo as expetativas de quem as plantou e tratou delas. Era o caso do magnífico exemplar multicaule com 6 pés de aroeira vermelha (“Schinus terebinthifolius”) plantado no Terraço dos Jardins d’Água e proveniente dos terrenos do antigo Matadouro. Expressamo-nos no pretérito porque esta árvore secou sem que nada tivesse sido feito para a tentar salvar.

julho 2018

Se fosse um caso isolado seria apenas uma infelicidade. No entanto, este é apenas mais um caso a juntar às centenas de árvores que têm morrido nos últimos 5 anos. Basta um passeio atento pelo Parque das Nações para se ter uma noção do estado atual do arvoredo. Ninguém está a cuidar das nossas árvores. E entretanto Lisboa é eleita Capital Verde em 2020… que triste ironia…

Vemos assim morrer anos de história, substituídos, com pompa e circunstância (e reportagens fotográficas) por árvores jovens que, infelizmente, nunca viverão o suficiente para terem elas também uma história como a desta aroeira vermelha.

 junho 2016

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