Intervenção na Sessão Ordinária da Assembleia de Freguesia de 24 de abril

Transcreve-se de seguida a intervenção da ACIPN na Sessão Ordinária da Assembleia de Freguesia realizada no dia 24 de abril:

Permitam-me começar por apresentar a ACIPN a este Executivo, dado que ainda não tivemos oportunidade de o fazer e na nossa única interação até ao momento não obtivemos qualquer resposta o que, aliás, vem em linha com o que foi a relação do anterior Executivo com a nossa associação.

A ACIPN é uma associação cívica, cultural e ambiental, sem qualquer orientação política ou religiosa, que pretende ser parceira de todas as forças que, connosco, pretendam construir um Parque das Nações com os padrões de qualidade a que os habitantes desta Freguesia se habituaram no passado, que nos foram prometidos pelo atual Primeiro-Ministro em 2012 e que merecemos voltar a ter no futuro.

Os objetivos da ACIPN assentam em quatro pilares fundamentais:
1. Promover a preservação da memória e do legado histórico, cultural, paisagístico e patrimonial da Expo’98;
2. Cooperar com as entidades gestoras do espaço público na definição de estratégias de conservação do património e manutenção da qualidade urbana;
3. Sensibilizar e mobilizar residentes e trabalhadores para a participação ativa na discussão pública dos problemas na área da gestão urbana do espaço;
4. Organizar iniciativas de ordem cultural, social, desportivas ou de outra natureza, que contribuam para a divulgação e promoção do local.

Feita a apresentação, um pequeno parêntesis sobre o 25 de abril…

Estamos a cerca de hora e meia de celebrar o dia da Liberdade nesta assembleia. É importante referir que só fará sentido essa celebração se tiverem em conta que estamos aqui reunidos por um bem comum que é este território, o Parque das Nações, e não por qualquer outro tipo de interesses individuais ou políticos.

44 anos depois do 25 de abril, chegou-se a um ponto neste país onde a política é mal vista, por vezes mal frequentada e onde o pântano nunca pareceu tão profundo. Precisamos urgentemente de quem olhe pelos nossos valores, pela nossa cultura, com respeito pelo cidadão e pelo contribuinte. Sim…nós que pagamos isto tudo exigimos respeito.

Fomos um povo bem mandado durante 50 anos, mas não queremos, nem podemos, deixar de ser a figura central. Não podemos deixar que um grupo de gente que se apropriou do Estado, governe em seu proveito e para grupos de interesses a eles associados e não governe para o Povo. Recusamo-nos veementemente a ser aqueles cujo único papel seja alimentar passivamente este ciclo com os nossos impostos.

E o que queremos afinal? Na ACIPN pretendemos que o legado da Expo 98 seja mantido e respeitado. E a poucas semanas da celebração do vigésimo aniversário da abertura da exposição Universal a que devemos este território tal como ele é hoje, sugerimos que as comemorações sejam feitas sob a forma de devolução da qualidade urbana que o Parque das Nações já teve e tem vindo a perder nos últimos anos:

– Queremos caminhar por ruas limpas e não em carpetes de erva e matagais onde nos cruzamos com todo o tipo de lixo nomeadamente dejetos caninos.

– Queremos a reposição do controlo efetivo de acesso à ZAC e cumprimento escrupuloso das regras definidas que tão bem funcionou durante 15 anos e que que tem vindo a ser gerido de forma desastrosa pela EMEL com a complacência da Junta de Freguesia.

– Queremos os nossos jardins recuperados e bem tratados. Que se passa com a recuperação dos Jardins Garcia d’Orta parada há mais de um ano? Que se passa com o Jardim das Ondas que após a recuperação já esteve mais tempo vedado que aberto ao público? Qual o futuro para o Cabeço das Rolas?

– Queremos cuidados adequados para o nosso património arbóreo, único no país e que guarda tantas histórias. O que aconteceu antes e depois da plantação de carvalhos na Alameda dos Oceanos exigia um pedido de desculpas por parte das entidades responsáveis. Deixar morrer mais de 300 árvores em 4 anos num troço de 1km, é digno de constar no Guiness Book.

– Queremos o cumprimento do protocolo assinado em 2015 entre a CML e a JFPN para a recuperação da arte pública nesta freguesia. O painel de azulejos da Ilda David na zona Sul, o painel japonês Toban no Parque Tejo, a Cortina da Fernanda Fragateiro (e já agora a sua pobre girafa que aguarda um espelho há quase 2 anos) são apenas três exemplos de obras que clamam por manutenção.

– Queremos reforço da segurança e instalação de videovigilância nos locais recorrentemente alvo de atos de vandalismo. O Parque já foi um local de brandos costumes… hoje, infelizmente, já não é.

– E queremos os vulcões de água, um ex-libris do Parque das Nações, a funcionar na sua plenitude. Quanto tempo mais será necessário esperar?

Por fim, não poderíamos deixar de reiterar o nosso desapontamento com a decisão de encerramento do Centro Interpretativo do Parque das Nações em plena celebração dos 20 anos da Expo’98 sem que se tenha equacionado um local alternativo onde manter a exposição aberta ao público. Lamentável…

Sempre acreditámos que estar à frente de uma Junta de Freguesia é unir a voz dos cidadãos e ir junto com eles em prol do bem-estar comum. Por isso, esperamos que este Executivo assuma essa atitude colaborativa e construtiva de diálogo com a população, em geral, e connosco em particular. Da nossa parte estamos totalmente abertos ao diálogo por um Parque das Nações com melhor qualidade urbana.

Obrigado.

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