Reunião sobre os solos contaminados na Zona Sul

A convite da Coordenadora da Unidade de Saúde Pública de Lisboa Central, Drª Maria João Martins, a ACIPN participou esta tarde numa reunião onde também estiveram presentes as várias entidades envolvidas no processo de gestão da situação dos solos contaminados nas obras de expansão do Hospital CUF Descobertas, nomeadamente José de Mello Saúde, APA, CCDR-LVT e Proteção Civil de Lisboa. A nosso pedido, e por nos ter vindo a dar bastante apoio técnico neste tema, também marcou presença a associação ZERO.

A iniciativa que muito saudamos e que há muito vínhamos reclamando, teve como objetivo principal dar respostas às dúvidas dos moradores. Nesse sentido é importante referir que nenhuma das entidades presentes consegue assegurar que não tenha havido em algum momento perigo efetivo para a saúde pública durante as obras de escavação e remoção de solos que decorreram até à suspensão das mesmas, ordenada pela CCDR-LVT em janeiro, nomeadamente nos dias em que os odores a hidrocarbonetos foram mais intensos e persistentes. Durante esse período apenas foi feito um controlo através da estação dos Olivais da rede de monitorização da qualidade do ar (RMQA) da CCDR-LVT, que dista quase 2km da obra, e onde (como seria de esperar) não foram detetadas concentrações anormais de poluentes no ar.

Relativamente à campanha de caracterização da qualidade do ar no local da obra exigida pela CCDR-LVT à José de Mello Saúde, foi reiterado pela APA e CCDR-LVT que os resultados finais aguardam validação e serão conhecidos em março, sendo que os resultados preliminares não garantem, desde já, a inexistencia de qualquer perigo para a saúde pública. A ACIPN expressou o seu ceticismo relativamente a esta campanha por ter sido realizada num momento em que as obras estavam suspensas e, como tal, por não ser representativa dos meses anteriores em que decorreram as escavações e a libertação de compostos orgânicos voláteis para a atmosfera era bastante superior. A Delegada de Saúde teve também a oportunidade de esclarecer que o odor intenso a hidrocarbonetos não está necessariamente relacionado com a concentração dos mesmos no ar ambiente.

Uma Comissão Técnica formada especificamente para analisar este caso irá delinear, dentro do enquadramento legal existente, medidas de gestão de risco a serem aplicadas em obras futuras. As construções do parque subterrâneo na Rua Mário Botas e do empreendimento Orpheu, por exemplo, já serão sujeitas à aplicação destas medidas que serão dadas a conhecer à ACIPN assim que forem determinadas.

Facebook