Jardins Garcia de Orta em risco

O significado dos Jardins Garcia de Orta foi a Viagem das Plantas através dos Oceanos: poder, num jardim, relembrar as plantas que os portugueses introduziram na Europa e trocaram entre continentes. A ideia foi aceite e o nome Garcia de Orta foi aprovado pois a curiosidade das plantas e a nova ciência na altura designada por botânica, levou a que os naturalistas Tomé Pires, Duarte Barbosa, Garcia de Orta partissem nas caravelas à descoberta de lugares novos, de climas estranhos onde variadas plantas pudessem ser estudadas e experimentadas.

Ao longo de quatrocentos metros junto ao Tejo foi então reservada para os jardins uma faixa de vinte e cinco metros de largura. O mais importante no jardim eram as plantas e a localização sempre rente ao Tejo assegurava-lhe beleza. Para fazer o plano de plantação dos jardins juntaram-se botânicos especialistas de cada lugar e as plantas foram escolhidas pelo seu significado na abertura dos oceanos e pela sua adaptabilidade a Lisboa. Dois tipos de investigação foram necessários: botânica e história. A aclimatação a Lisboa era essencial e para a autora as alterações climáticas eram já um dado do problema: se Lisboa ia mudar de clima e tornar-se mais quente, então podia arriscar a introdução de plantas subtropicais mais exigentes à temperatura. O aconselhamento junto dos jardins de Kew em Londres foi essencial ao risco que se tomou em introduzir plantas mais robustas.

in “Jardins de Portugal” (Clube do Colecionador dos Correios)

 

Este texto resume bem as caraterísticas únicas e valiosas dos Jardins Garcia de Orta. Em defesa deste legado, desde o verão passado que a ACIPN tem vindo a exigir o envolvimento nos trabalhos de requalificação dos jardins da arquiteta Cristina Castel-Branco, co-autora e responsável pelo Plano de Plantação do projeto original. Corolário de uma sucessão de atitudes lamentáveis que nada dignificam o Presidente e o vogal dos Espaços Verdes da Junta de Freguesia do Parque das Nações e que envergonham toda a freguesia, tiveram início esta semana os trabalhos de plantação nos jardins, aproveitando a ausência do país por parte da arquiteta que ainda aguardava um contacto da JFPN visando o seu envolviemnto nos trabalhos.

Percebe-se que o tempo começa a escassear para tudo ficar “arranjado antes das eleições” mas sem a supervisão da arquiteta Cristina Castel-Branco, os Jardins Garcia de Orta correm o risco de perder todo o seu valor histórico e científico, algo que não poderemos deixar que suceda. Haverão ainda questões legais relacionadas com a co-autoria do projeto mas que parecem não preocupar à JFPN.

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