Carta aberta ao Presidente da CML

A ACIPN fez-se representar nas comemorações do Dia da Terra que decorreram na tarde de 22 de abril no Parque Tejo e aproveitou a ocasião para entregar uma carta ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa onde expressa algumas das suas preocupações relativamente à atual gestão do espaço público do Parque das Nações. Durante uma breve e cordial conversa, o Dr. Fernando Medina deixou-nos a garantia de que irá dar atenção às questões por nós levantadas.

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Reproduzimos de seguida a carta que foi entregue:

 

CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,

A Cidade Imaginada Parque das Nações (ACIPN) é uma associação cívica, cultural e ambiental, de cariz suprapartidário, sem qualquer orientação política ou religiosa, que nasceu da mobilização de um grupo de cidadãos descontentes mas não resignados com o estado de abandono e desleixo em que o espaço público desta freguesia mergulhou em 2013 e de onde parece não conseguir sair.

Antes de mais, a ACIPN congratula-se com a sua visita ao Parque Tejo no âmbito das comemorações do Dia da Terra, presença que muito honra os moradores e comerciantes desta freguesia. No entanto, não podemos deixar de lamentar que não o tenha feito uma semana mais cedo e sem o anúncio prévio que permitiu realizar uma operação de cosmética para encobrir a agonia em que vive este espaço e que o transformou numa sombra do que já foi.

Talvez hoje pareça tudo bem arranjado, mas ainda há uma semana era possível encontrar por aqui zonas de erva com um metro de altura. Locais há, onde apesar dos tons de verde, relva não existe de todo. Causa-nos particular preocupação o estado dos taludes, na sua maioria desprovidos de vegetação e, como tal, em risco de colapsar, como aliás já sucedeu. De um modo geral a manutenção do Parque Tejo é insuficiente e pouco rigorosa e a que é realizada está a anos-luz dos padrões de excelência evidenciados ao longo de 15 anos. Se olhar com atenção em redor, poderá constatar o estado lastimável em que se encontram os bancos desenhados pelo arquiteto Siza Vieira. Em alguns casos, a reparação foi pior que o dano naquilo que para nós representa uma desconsideração pelo arquiteto e pela sua obra. A falta de iluminação e, decorrente deste, o vandalismo são outro problema. Durante anos reinou o sentimento de segurança nesta zona. Hoje em dia tudo mudou. São poucos os que se atrevem a frequentar o Parque depois do pôr-do-sol. Por tudo isto e muito mais, exigimos ação imediata para que o Parque Tejo recupere o esplendor de outrora, antes que seja tarde demais.

A ACIPN não pretende, de todo, que o Parque das Nações beneficie de um tratamento privilegiado por parte da CML, nem os seus moradores e comerciantes aspiram a mais direitos que os restantes munícipes da cidade de Lisboa. Estamos cientes das dificuldades inerentes à gestão urbana de um espaço com estas características. No entanto, não podemos esquecer que foi a própria autarquia quem assegurou, no momento da transferência de competências da Parque Expo, que “quem mora, trabalha e investiu no Parque das Nações tem obviamente direito de exigir o mesmo padrão de qualidade elevado que teve até aqui e que se vai manter”. Portanto, os moradores e comerciantes limitaram-se a alimentar uma legítima expectativa em relação à manutenção destes altíssimos standards de qualidade urbana. A realidade, porém, revelou-se bem diferente. Reconhecemos o esforço e a vontade mas, infelizmente, o resultado ainda não é satisfatório.

A ACIPN assume ainda que a preservação da memória e do legado histórico, cultural, paisagístico e patrimonial da Expo’98 é um dos seus principais objetivos. Nesse sentido causa-nos uma certa tristeza que algumas das recentes intervenções no terreno, de que é exemplo a renovação da iluminação no Passeio de Neptuno (junto ao Jardim das Ondas) ou nos decks da Alameda dos Oceanos, não respeitem princípios e conceitos em que assentou todo o projeto do recinto da exposição. O arquiteto Manuel Salgado advogava que o protagonismo deveria estar na luz e não nos aparelhos e que além da funcionalidade e eficácia que se pretendia para o pós-Expo, a iluminação teria ainda por missão criar ambientes especiais. Quem vê hoje o resultado final das intervenções, rapidamente percebe que ali não existe qualquer preocupação ou função estética, o que para nós é lamentável.

Em todo o caso a ACIPN pretende estar sempre do lado da solução e ter um papel ativo e cooperante com a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia do Parque das Nações na definição de estratégias de conservação do património, manutenção da qualidade urbana e valorização sustentável deste território. Como tal, disponibilizamo-nos, desde já, para, em conjunto, encontramos as melhores respostas para os problemas do Parque das Nações.

ACIPN
Lisboa, 22 de abril de 2016

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